Aprecie sem moderação

“A arte não é um espelho para refletir o mundo, mas um martelo para forjá-lo.” Vladimir Maiakóvski

Magritte

Magritte

A arte, atualmente, parece ter se tornado uma ferramenta que, segundo a sociedade, seria capaz de proporcionar um caráter de personalidade “cult” para aqueles que se interessam por ela. Mas até que ponto essa graça pelo cenário artístico é realmente verdadeira e sincera, sendo assim capaz de viabilizar uma imersão nas profundidades da obra, literalmente inspiradora e agregadora de conteúdo.

O número de visitantes em galerias, acervos e museus tem aumentado a cada dia, mas a atenção fornecida a cada pintura, escultura etc., parece diminuir com a mesma frequência. Hoje, é “legal” gostar de arte, é “bonito” um quadro que, às vezes, você nem ao menos se esforçou para olhar criticamente, gastando cerca de dez segundos, até que, com as mãos cruzadas nas costas e o rosto confuso, caminhasse em direção à outra obra como resultado de sua desistência. De que vale gastar seu tempo indo a uma exposição na qual o único valor que as peças a mostra possuem, segundo você, é estético. É claro, ninguém é obrigado a gostar de arte, ou de achá-la feia só por não observá-la minuciosamente. Porém me intriga pensar que muitos daqueles que hoje se intitulam como apreciadores de arte não tentem entender as obras e retirar dessas algo interessante, e isso não é culpa de ninguém. A sociedade atual foi “adestrada” para se acostumar com mensagens rápidas, informações instantâneas que, em grande quantidade, sequestram nosso tempo, e assim, encurtam ainda mais o que já era curto, tornam cansativo e estranho o ato de observar um quadro, por exemplo, e gastar para isso, vários preciosos minutos.

Pollock

Pollock

Não é fácil interpretar uma peça de arte, aprender da noite para o dia a identificar traços e desvendar pretensões de pessoas conhecidas, mas que você não conhece, a não ser pelas aulas de história que lhe “obrigavam” a decorar nomes, datas e personalidades para a prova. Mas tudo é uma questão de treino e aprimoramento da mente, para que assim, essa consiga enxergar o que aparentemente era invisível. Cada obra esconde contextos, sentimentos, visões e previsões daqueles que a criam. Sendo assim, a arte se torna um mudo tentando gritar para o mundo tudo o que pensa, e nesse sentido, basta aprendermos a “linguagem dos sinais” para escutarmos essas confissões.

Portanto, olhe de perto, olhe de longe, conte, compare, vire para um lado, depois vire para o outro e, se possível, toque. Você começará a perceber que existe um tudo antes do “aquilo”, e que essa imensidão de informações ultrapassa o “bonitinho”. Para pensar fora da caixa, é necessário primeiro entendê-la por dentro.